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quarta-feira, março 25, 2009

Quarta-Feira de Cinzas
























A Fênix faxina fundo,

a famigerada falência do Ego.
Fulminante, flagra falcatruas
de falsos corações e falsas mentes,
que sempre mentem !

Não nego, não me apego,
Mas não reclamo quando ardo em chamas.

Carregar a consciência de uma época
Não é tarefa para o ser humano.

Não sou Prometeu Acorrentado.
Se depender de mim,
O meu fígado não pode ficar na reta
para que os homens saiam da escuridão.

E o pior, é que a Terça-Feira Gorda
não devorou meu fígado.
A Esfinge do Samba Carioca é mais exigente.

No Terreirão do Samba.
Espetou meu coração
Colocou-o na brasa
e o vendeu mais barato
que um churrasquinho de carne de gato

Ainda bem que sou Macaco !
Vou mudar de galho
Mas enquanto arde a brasa
Não posso renascer das cinzas !

Ricardo Muniz de Ruiz - Poeta Mameluco Brasileiro

Cosme Velho, 25 de fevereiro de 2009
quarta-feira de cinzas - 12:12 horas

quinta-feira, novembro 20, 2008

Sibila


Sonho subverter com suavidade

A solenidade da sua saia.

Saçaricar sob a superfície

A sinuosa silhueta soberana.

Sussurrar um soneto em segredo,

Sopro sonoro, sideral.

Sentir suar, suculenta, a sarracena

Cedendo, o sumo da seiva ao centauro.

A sensualidade cerca o cenário

Um sabor de sândalo circula

A saliva semeia, sorvendo o solo.

A Ceia Celestial é sagrada.

Ceres celebra a cerimônia.

Samsara, na sequência, sorri.


Ricardo Muniz de Ruiz - Poeta Mameluco Brasileiro

domingo, maio 20, 2007

Almada

Cidade de Almada

Alma amada gentil que não partiste
Ficaste e enfrentaste a ditadura
Numa luta de Davi e de Golias,
Mesmo assim nunca pereceste.

O Salazarismo foi-se
Veio a Revolução dos Cravos
Depois, o cravo brigou com a rosa,
E como sempre só te restou
O verso e a prosa.

Caiu o Muro de Berlim !
Quando mais acreditávamos
Nos ventos da liberdade
O neo-liberalismo decretou o fim da história.

Em vários pontos do planeta
Os carbonários da cultura resistiram
E tu Almada, Oh, Alma Amada
Foste um destes bastiões !
Cacilhas,
Ilha de Poesia,
Castelo de Vates !

Hoje a farsa foi desmontada
Bush pai e Bush filho
estão desmoralizados,
não enganam mais ninguém.

Nós, os poetas amados
Bardos Alados, inconformados,
Seguimos o exemplo do poeta do Sado.
Elmano Sadino, é o nosso paladino
Muitas vezes designado maldito
Só por que falou do mundo como ele existe.

Não vamos parar de pensar
Nem de escrever as idéias
Por que em nosso peito bate um coração
Que jamais se calará ante a injustiça !
Tem gente que acha isso sinistro.

É vero !
AVANTI,
VIVA LA SINISTRA !

Ricardo Muniz de Ruiz - poeta mameluco brasileiro
Rio de Janeiro, 18 de maio de 2007

terça-feira, abril 24, 2007

A Criação

A Criação - Toque de Midas

Deus fez a mulher,
O Diabo a possuiu.
O homem então fez a poesia.

Essa moral judaico-cristã
Cansa a minha beleza.

Não é preciso ir muito longe
Pesquisar o Tao no Oriente
Pra sacar coisa melhor.
Aqui mesmo em Pindorama
Existe a moral Yorubá…
A feminina Odudua
E o masculino Obatalá
Fizeram juntos a criação:
Da Terra, da Gente e a Natureza.

A moral Ocidental
Explica a Criação
Na oposição Deus-Diabo.
A mulher no caso
É mera coadjuvante.
Olha aqui,
Não me leve a mal,
Mas a moral Ocidental
É homossexual!

Ricardo Muniz de Ruiz – poeta mameluco-brasileiro

sábado, fevereiro 10, 2007

O Bloco dos Bichos

Carnaval

No Baile de Gala
A máscara identifica a persona
Disfarça, esconde o âmago.
Dilui a personalidade.
Exclui a possibilidade do encontro.

Permite a licenciosidade do toque.
O esfrega, a entrega no banho de suor
Espumante, regado à cerveja.
No vapor de cigarros tragados
Ao fundo o cheiro do lixo.

A cana vai e vem
Nem tudo que reluz é ouro.
Nem tudo que balança cai.

O galo canta antes das 3 da manhã
A gata mia antes da meia-noite
O cão ladra ao ouvir o som da orquestra.

A cigarra não quer saber do amanhã.
A vaca berra sonhando com o açoite
O queijo, a ratazana sequestra.

A formiga encalhada
Azara o pernilongo
Mas quem leva a picada
É a filha do marimbondo.

Também com aquela bunda
Até o pacato piolho
Quer encostar o ferrão.

O morcego desfruta a intimidade do salão
Antes que o amanhecer traga a solidão.
O peixe fora do aquário
Dança na boquinha da garrafa.

As peruas rebolam quando ouvem glu-glu-glu
As patas aproveitam enquanto o pavão empina o rabo.

Orwell já cantou essa pedra.
Por isso vou-me embora
Antes que o porco entregue a folia,
E humanos insanos transformem a orgia animal
Em suruba no matadouro.

Carne vã
Carne vai
Carne vem
Em vão.

Amanhã, tudo em postas no super-mercado
Dispostas em invólucros que dão lucro
Na TV a manchete do Santo Sepulcro.

O déspota disputa
A puta regateia o preço
O michê michou, brochou
Foi enrabado, pelo salto do sapato.

E ainda dizem que é a noite do meu bem !

Vou-me embora pra Pasárgada
Mesmo que o Rei tenha sido destronado.

Por que, se por aqui não agrado
Pelo menos lá
Sei que não sou parte do gado.


Ricardo Muniz de Ruiz - poeta mameluco brasileiro
(Cosme Velho, 9/02/2007)

sábado, fevereiro 03, 2007

Extrapolações Etílicas

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Para Marina Colassanti

...sabe gatinha,
Eu sou um cara expansivo
Às vezes meio agressivo
Também sei ser agradável e afável.

Ao sabor da Rosa-dos-Ventos
Tenho a presença dos quatro elementos
Além dos sete pecados capitais.

Na dialética da madrugada
A filosofia de botequim
Produz porres acadêmicos!
A tese da menina ao lado
Vira tesão na menina da frente
A iniciativa da cantada
Ou solidão nessa madrugada.

Tora! Tora! Tora!
Os líquidos ingeridos
E os fluidos endêmicos
Começam a surtir efeito.
Produzem delírios tremendos
Prazeres paranormais
Às vezes gozos poderosos
Noutras orgasmos mentirosos.

A Egrégora da Mandrágora
Tece teias aracnídeas
Onde somos presas fáceis
Do Apolíneo e o
Dionísiaco!

Ricardo Muniz de Ruiz - poeta Mameluco brasileiro

terça-feira, janeiro 02, 2007

Eva

Eva


Você é a mulher
Mais interessante
Que já amei.

Com você
Volto a ser criança
E o mundo
Vira uma brincadeira

Pêra, uva ou maçã?

Ricardo Muniz de Ruiz - poeta brasileiro

domingo, outubro 15, 2006

Classificado Literário

Classificados


Precisa-se de moça
De fino trato.

Para momento agradável
De elaboração
estético-poética.

De mão leves
e idéias firmes.

Que saiba digitar e
passar os dedos
Sem machucar as palavras.

Que tenha habilidade
Para mobilizar a platéia.

Que saiba utilizar
Meios seguros
para finais bombásticos.

Que não seja escandalosa
Mas entenda de prosa.

Que saiba manter a neutralidade:
Entre: maiúsculas e minúsculas;
orações subordinadas e coordenadas;
sujeito e predicado.

Que tenha objetivos diretos
Mas nunca dispense o objeto indireto.

Que saiba intrigar
Sem criar mutreta.

Que construa tramas
Sem destruir corações.

Que pratique boas ações
Principalmente as em alta.

Não precisa estourar o pregão
Mas que saiba evitar a queda da bolsa.
Pois boa moça
Não vacila com bolsa.

Que saiba dar
Tratos a bola,
ou então
Bolar contratos.

Armar bom contrato
É um raro exemplo
de fino trato.

Que seja por extensão
Contra os maus tratos.

Que saiba fazer
A ligação entre a defesa e o ataque.

Que não pratique faltas violentas
Nem precise jogar na zaga.

Ah!!!
E muito importante
Não seja zangada !

Que tenha alegria
E não entre em fria.

Que saiba dar passes
Na Zona do Agrião.

Se quiser aproveitar
Pode fazer uma boa salada
orgânica, sem agro-tóxicos.

De preferência, salada-de-frutas
Com as frutas da estação
Aproveitando que no Rio
É sempre verão.

Oferecemos:
Trama complexa
Enredo Vigoroso
Episódios Completos,
Sem finais incertos.
Suspense Garantido
Vaga no elenco
Direito autoral
e
Roteiro original!


Ricardo Muniz de Ruiz – poeta brasileiro
"Cosme Velho, 10 de outubro de 2006."

quarta-feira, agosto 09, 2006

Domingo Na Praia


Sol de manhã
Galera no cio
Lira do delírio
Lirismo e desvario.

Dialética do Rio
Idílio permitido
Entre Ipanema e Ramos
Todos nós estamos.

Multipli-Cidade!
Cumpli-Cidade!
Sincretismo carnal!
Dos Tupis e Tapuias
Tapioca e paçoca.
Do quilombo d'Angola
Cânhamo e cannabis
Santarém e Bragança
Herança Lusitana.

Lírica do Rio
Larica carioca

Bunda balançando?
Bagunça tropical!
Seios a saçaricar
Pernas a se roçar
Perseguidas a ciscar
Passarinhos atrás de ninhos.

Lúdica paisagem
Mestiça libertinagem
Nem quero saber sua idade.
Quero você por perto
Orgia a céu aberto.
Bocas calam, corpos falam
Falos fluem, periquitas voam.

Musica-lidade!
Multi-cultura-lidade!
Plasti-Cidade!
Simpli-Cidade!

Ricardo Muniz de Ruiz – poeta brasileiro

(Em "Républica dos Poetas"; Antologia poética.
Rio de Janeiro: Museu da República Editora, 2005)

sexta-feira, junho 09, 2006

Poema da Volta

Pintura de Walter de Sousa

Cá estou
em carne e osso
corpo e alma
verso e prosa.
Mar e lagoa
montanha e nuvem
praia e sol
cariocas e estrangeiras
Pessoa e Cartola
bikinis e pivetes
topless e arrastão.

Passado vadio
futuro mal pago
presente contente
Tente...
Pecado safado...
comunhão preventiva,
absolvição garantida.
Extrema-unção à prestação
devo não nego,
não pago,
não compro,
não assino,
e quero o recibo.
O mundo é logo ali
O Brasil é que tá no
Cafundó do Judas.
Fronteira aberta!
Como o futuro de nossas crianças
que jamais serão adultas,
mas levarão muitos adultos antes de partir.
Fronteiras abertas
como as pernas das adolescentes nos bordéis
das adoções fraudulentas para extirpação de órgãos
das árvores decepadas na Amazônia
dos rios contaminados de alumínio
da população dormindo nas ruas
ocupando o espaço do lixo.
As escolas encalhadas
e as idéias abandonadas.
Os hospitais cheios
nas filas do lado de fora.

A esperança é recorrente,
pois deus é brasileiro
o diabo é que é estrangeiro.
Mas a direita é maneta
e a esquerda é perneta.
O centro é capado,
e faz tudo por trás.
Todos mamam na teta.
Caros dirigentes:
Competentes punhetas!
No verão vê-se
que a vida é curta
mas o dia é comprido
Ricardo Muniz de Ruiz – poeta brasileiro

terça-feira, maio 02, 2006

Mameluco


As pernas claras,
Bem delineadas,
Por baixo da discreta mini-saia
Despertam
Meu curioso olhar!

Intrometido,
Quero registrar
Cada detalhe
Da esguia carne!
Percebo
Delicioso Paladar.

Belicoso,
Desperta o canibal.
O inconsciente vai pro Beleléu!
O Tupinambá reencarna.

É meu passado recente:
Há quinhentos anos,
Meu bravo ancestral
Dominava o litoral.

Você não sabe
O perigo que corre
Por deixar assim
Desprotegido
Ao meu olhar
Esse ângulo atrevido!

Ricardo Muniz de Ruiz – poeta brasileiro
Em “Poesia Profana”

terça-feira, abril 18, 2006

Sede


Eu quero agora mulher formosa
para saciar-me a natureza minha,
multiplicar-me todo o meu valor,
pois no meu leito o corpo quer calor.

O meu desejo todo escancarado
vou prolongar com pompa no esplendor.
Procuro, na real, fêmea saborosa,
o corpo pleno corado de amor.

Não pode ser beleza fria,
tampouco da ingênua se abrindo em flor.
Quero mulher, fruta madura crua.

Pratico artimanha que cora o prior.
Só serve a Eva, amiga da serpente,
e que saiba acalmar o trovador.


Ricardo Muniz de Ruiz - poeta brasileiro