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sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Deserto do Namíbe

Outrora
para lá da riqueza
eram areias e areais sem fim...
reprimidas para além da cidade e do asfalto.
Outrora foram brisas verdes
ao sonho rubro-negro do vento.

Hoje,
depois de sonhos desfeitos e dias-noites guerra
ainda te consomes e perdes
sobre areias e areais sem fim
e eu vejo, cheiro, sinto:
tantos, tantos MISSEKE!

Namíbiano Ferreira - poeta angolano

sexta-feira, setembro 15, 2006

Terra Bensuada

Terra Bensuada

Pintura de Ivone Ralha


A manta rota dos Deuses
cobriu o sol
e a terra
mais sagrada
tombou na suprema escuridão...

Horizontes roxos pairam no ar
há mortos, perdidos, ausentes
e a terra chora baixinho.

Ao luar, caju dorido,
ressoa manso o tambor
amordaçado pelo truar dos canhões,
bazucas, murteiros, obuses.

A manta rota dos Deuses
cobriu o sol
e a terra
mais sagrada
chora só e baixinho
morte, agonia, tormento.

-Que Deus fadou o teu Destino
oh terra bensuada
exangue, exausta em sangue?

-Que Deus fadou o teu Destino
oh terra bensuada
queimada dormindo em guerra?

Namibiano Ferreira – poeta luso-angolano